
Série Asfixia
Asfixia IV, VI, VIII, XI, XV, XVIII, XXII
Pigmentos minerais sobre papel de fibra de algodão
50 X 50 cm
Asfixia I, II
Acrílica e serigrafia sobre tela
50 X 50 cm
A série Asfixia aborda em recorte o contexto de sufocamento em que vivemos e a falta de respiração para as liberdades de movimentos e deslocamentos, a falta de oxigênio puro, limpo e renovável para sobreviver em meio a um mundo cada vez mais asfixiado pelas guerras e tragédias humanas e pelas crises climáticas e ambientais. Estamos todos asfixiados por alguma coisa, por muitas coisas. Asfixiados pelas guerras, pelas avalanches de informações verdadeiras ou falsas, pela polarização dos corpos, pelo racismo, misoginia, eugenia, xenofobia, pela divisão, por um mundo polarizado, pela construção de muros e a destruição de pontes, pela ascensão do “monólogo” e o apagamento do diálogo, pela usurpação e o poder.
O grande desafio é encontrar caminhos e fios de esperança em meio a tudo isso.
A série Asfixia promove um diálogo estreito com a série “Cadeira Eléctrica”, de Andy Warhol. É extremamente importante que os mais jovens conheçam a outra face de Warhol e não apenas aquela que costuma ser disseminada por aí com maior frequência, a partir de suas obras com uma crítica ao culto da Celebridade, ao Show Business e a Indústria da Cultura Pop e do Entretenimento (Mass media) etc., (para saírem desfilando por aí, ao mesmo tempo como mercadorias e grifes, pelo menos por um quarto de hora). Andy Warhol também traz obras de cunho “social” e “político” com uma crítica extremamente ácida, corrosiva e de grande envergadura.
Se você quiser ir mais fundo para enxergar o lodo não fique no raso do rio e muito menos na superfície cristalina. É preciso mergulhar na profundidade das coisas para encontrar ‘a verdade’.
Para Warhol, a cadeira elétrica, a partir de suas múltiplas camadas entre tantas outras chaves de leitura e pensamentos críticos, é uma crítica ácida ao braço pesado do Estado com sua política de morte para TODOS os condenados, “sem distinção”, daí a ideia da multiplicidade de cores para o mesmo objeto, a sentença de morte em cadeira elétrica de forma repetida, sistemática, ininterrupta e implacável. A diferença importante entre uma série e outra para o contexto atual é que outrora a cadeira elétrica era um objeto estático com a mesma face do horror, diferente dos corpos contemporâneos em constantes movimentos e reações para diferentes asfixias.
