
GOTAS DE FOGO 2026
Série “Gotas de fogo”
Série composta por 195 obras (193 países reconhecidos pela ONU e 2 Observadores Internacionais: Palestina e Vaticano) em óleo sobre tela, vidro e papel adesivo e 5 vídeos-instalação imersivas Vaga-lumes.
Gotas de fogo, 2026
Óleo sobre tela, vidro e papel adesivo
20 x 20 cm
Pequenas ‘luci’ intermitentes, ‘lucciole’, contra os grandes holofotes e ferozes projetores a nos vigiar com suas luzes mortíferas.
[…]
No início dos anos 60, devido à poluição do ar e, sobretudo, no campo, devido à poluição das águas (rios azuis e canais transparentes), os vaga-lumes começaram a desaparecer. O fenômeno foi extremamente rápido e deslumbrante. Depois de alguns anos, os vaga-lumes desapareceram. (Eles são agora uma memória, comovente, do passado: e um velho que tem essa memória, não consegue se reconhecer como jovem nos novos jovens e, portanto, não pode mais ter as boas lamentações do passado). Esse “algo” que aconteceu há cerca de dez anos, chamarei, portanto, de “desaparecimento dos vaga-lumes”.
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Todos os meus leitores certamente terão notado a mudança nos poderosos […]: em poucos meses, eles se tornaram máscaras funerárias. É verdade: continuam exibindo sorrisos radiantes, de uma sinceridade incrível. A verdadeira luz abençoada do bom humor se aglomera em suas pupilas. Quando não é a luz piscando da inteligência e da travessura. […] Além disso, nossos poderosos continuam seus discursos incompreensíveis destemidos; em que flutua o “flatus vocis” das promessas estereotipadas usuais. Na realidade, são apenas máscaras. Tenho certeza de que levantar aquelas máscaras não encontraria nem um monte de ossos ou cinzas: haveria nada, vazio.
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“O artigo dos vaga-lumes”
Pier Paolo Pasolini
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É um tempo em que os “conselheiros pérfidos” estão em plena glória luminosa,
enquanto os resistentes de todos os tipos, ativos ou “passivos”, se transformam em vaga-lumes fugidios tentando se fazer tão discretos quanto possível, continuando ao mesmo tempo a emitir seus sinais.
[…] a dança dos vaga-lumes, esse momento de graça que resiste ao mundo do terror, é o que existe de mais fugaz, de mais frágil.
“Sobrevivência dos Vaga-lumes”
Georges Didi-Huberman